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Exercício Trecho enunciado da questão Ano Entidade promotora Visualizar
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Dias Gomes. O Pagador de promessas. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005, p. 78-9.

Tomando por base o excerto da peça O Pagador de Promessas e levando em conta as especificidades da linguagem dramática, avalie as seguintes asserções.

I -  O texto dramático, sobretudo na linguagem dos personagens, reproduz, artisticamente, padrões de fala do cotidiano.

II -  O texto dramático, no que diz respeito às rubricas ou marcações de cena, registra a presença da figura autoral.

III -  O texto dramático, ao registrar padrões da fala, tende a se tornar historicamente datado e, conseqüentemente, prejudicado quanto ao aspecto artístico.

Está certo o que se afirma apenas em

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Tomando por base o trecho escrito que representa a fala de Nhinhinha: “Mas, não pode, ué...”, assinale a opção correta a respeito dos processos de transposição da linguagem oral para a linguagem escrita.

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Levando em conta a inter-relação entre a literatura e outros sistemas culturais, assinale a opção correta.

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     Olhou as cédulas arrumadas na palma, os níqueis e as pratas, suspirou, mordeu os beiços. Nem lhe restava o direito de protestar. Baixava a crista. Se não baixasse, desocuparia a terra, largar-se-ia com a mulher, os filhos pequenos e os cacarecos. Para onde? Hem? Tinha para onde levar a mulher e os meninos? Tinha nada!                         (...) Se pudesse mudar-se, gritaria bem alto que o roubavam. Aparentemente resignado, sentia um ódio imenso a qualquer coisa que era ao mesmo tempo a campina seca, o patrão, os soldados e os agentes da prefeitura. Tudo na verdade era contra ele. Estava acostumado, tinha a casca muito grossa, mas às vezes se arreliava. Não havia paciência que suportasse tanta coisa.

Graciliano Ramos. Vidas secas. 106.ª ed. São Paulo: Record, 1985, p.96-7.

A leitura do trecho acima do capítulo Contas, do romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, indica que, nessa obra, a relação entre o texto e o contexto de sua produção está concentrada

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Considerando que a palavra portuguesa verão tem origem na expressão tempos veranum, do latim, que significa “tempo primaveril, de primavera”, analise os enunciados a seguir, considerando a evolução histórica do latim ao português.

De acordo com as informações acima, a palavra veranum, “de primavera”, passou a “verão”, em português,

porque

houve, na formação histórica da língua portuguesa, o surgimento de um aumentativo a partir da palavra latina vero.

Assinale a opção correta.

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      Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas uma infinidade de portas e janelas alinhadas. (...) Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham o pé na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante sensação de respirar sobre a terra. Da porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como formigas, fazendo compras.

Aluísio Azevedo. O cortiço. São Paulo: Ática, 1989, p. 28-9.

     Aliás, o cortiço andava no ar, excitado pela festa, alvoroçado pelo jantar, que eles apressavam para se dirigirem a Montsou. Grupos de crianças corriam, homens em mangas de camisa arrastavam chinelos com o gingar dos dias de repouso. As janelas e as portas escancaradas por causa do tempo quente deixavam ver a correnteza das salas, transbordando em gesticulações e em gritos o formigueiro das famílias.

Émile Zola. Germinal. São Paulo: Nova Cultural, 1996, p. 136.

      Aluísio Azevedo certamente se inspirou em L’Assommoir (A Taberna), de Émile Zola, para escrever O Cortiço (1890), e por muitos aspectos seu texto é um texto segundo, que tomou de empréstimo não apenas a idéia de descrever a vida do trabalhador pobre no quadro de um cortiço, mas um bom número de pormenores, mais ou menos importantes. Mas, ao mesmo tempo, Aluísio quis reproduzir e interpretar a realidade que o cercava e sob esse aspecto elaborou um texto primeiro. Texto primeiro na medida em que filtra o meio; texto segundo na medida em que vê o meio com lentes de empréstimo. Se pudermos marcar alguns aspectos dessa interação, talvez possamos esclarecer como, em um país subdesenvolvido, a elaboração de um mundo ficcional coerente sofre de maneira acentuada o impacto dos textos feitos nos países centrais e, ao mesmo tempo, a solicitação imperiosa da realidade natural e social imediata.

Antonio Candido. De cortiço a cortiço. In: O discurso e a cidade. São Paulo / Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2004, p.106-7/128-9 (com adaptações).

Considerando as palavras linha e alinhar, que opção apresenta a correta segmentação morfológica da palavra “alinhadas”, no fragmento de O Cortiço, de Aluísio Azevedo?

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Considerando, para além do aspecto temático, a associação entre a forma e o estilo de representação dos textos literários e dos quadros apresentados a seguir, assinale a opção em que não se verifica uma inter-relação de semelhança entre literatura e pintura.

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       Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas uma infinidade de portas e janelas alinhadas. (...) Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham o pé na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante sensação de respirar sobre a terra. Da porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como formigas, fazendo compras.

Aluísio Azevedo. O cortiço. São Paulo: Ática, 1989, p. 28-9.

      Aliás, o cortiço andava no ar, excitado pela festa, alvoroçado pelo jantar, que eles apressavam para se dirigirem a Montsou. Grupos de crianças corriam, homens em mangas de camisa arrastavam chinelos com o gingar dos dias de repouso. As janelas e as portas escancaradas por causa do tempo quente deixavam ver a correnteza das salas, transbordando em gesticulações e em gritos o formigueiro das famílias.

Émile Zola. Germinal. São Paulo: Nova Cultural, 1996, p. 136.

      Aluísio Azevedo certamente se inspirou em L’Assommoir (A Taberna), de Émile Zola, para escrever O Cortiço (1890), e por muitos aspectos seu texto é um texto segundo, que tomou de empréstimo não apenas a idéia de descrever a vida do trabalhador pobre no quadro de um cortiço, mas um bom número de pormenores, mais ou menos importantes. Mas, ao mesmo tempo, Aluísio quis reproduzir e interpretar a realidade que o cercava e sob esse aspecto elaborou um texto primeiro. Texto primeiro na medida em que filtra o meio; texto segundo na medida em que vê o meio com lentes de empréstimo. Se pudermos marcar alguns aspectos dessa interação, talvez possamos esclarecer como, em um país subdesenvolvido, a elaboração de um mundo ficcional coerente sofre de maneira acentuada o impacto dos textos feitos nos países centrais e, ao mesmo tempo, a solicitação imperiosa da realidade natural e social imediata.

Antonio Candido. De cortiço a cortiço. In: O discurso e a cidade. São Paulo / Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2004, p.106-7/128-9 (com adaptações).

Assinale a opção em que a relação intertextual entre O Cortiço e Germinal é interpretada pelos parâmetros críticos apresentados no texto de Antonio Candido acerca da relação entre a obra de Aluísio Azevedo e a de Émile Zola.

 

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A literariedade, conceito que remete à especificidade da linguagem literária, vem sendo discutida por teóricos e críticos, tal como se verifica nos textos a seguir.

Texto 1


    A literariedade, como toda definição de literatura,
compromete-se, na realidade, com uma preferência
extraliterária. Uma avaliação (um valor, uma norma) está
inevitavelmente incluída em toda definição de literatura
e, conseqüentemente, em todo estudo literário. Os
formalistas russos preferiam, evidentemente, os textos aos
quais melhor se adequava sua noção de literariedade, pois
essa noção resultava de um raciocínio indutivo: eles
estavam ligados à vanguarda da poesia futurista. Uma
definição de literatura é sempre uma preferência (um
preconceito) erigida em universal.


Antoine Compagnon. O demônio da teoria: literatura e
senso comum. Trad. Cleonice P. Barros e Consuelo
F. Santiago. Belo Horizonte: UFMG, 2003, p. 44.

Texto 2


      Literariedade: termo do formalismo russo
(1915-1930), que significa observar em uma obra literária
o que ela tem de especificamente literário: estruturas
narrativas, rítmicas, estilísticas, sonoras etc. Foi a tentativa
de especificar o ser da literatura, propondo um
procedimento próprio diante do material literário.
Os formalistas trabalharam, portanto, um novo conceito
de história literária, e foram, digamos assim, a base para
o comportamento estruturalista surgido na França.


Samira Chalub. A metalinguagem. 4.ª ed.
São Paulo: Ática, 1998, p. 84 (com adaptações).

A partir da interpretação dos textos acima, assinale a opção correta.

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        Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espalhados.             Ah que medo de começar e ainda nem sequer sei o nome da moça. Sem falar que a história me desespera por ser simples demais. O que me proponho contar parece fácil e à mão de todos. Mas a sua elaboração é muito difícil. Pois tenho que tornar nítido o que está quase apagado e que mal vejo. Com mãos de dedos duros enlameados apalpar o invisível na própria lama. 

Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p. 25.

No trecho do romance A hora da Estrela, de Clarice Lispector, apresenta-se uma concepção do fazer literário, segundo a qual a literatura é

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Ao reconhecer o conjunto de sinais acima como várias realizações de uma mesma letra, um usuário da língua revela estratégias psicolingüísticas capazes de

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     Se todo ser humano, ao praticar alguma ação, pensa sobre ela, que dizer dos professores que, comprometidos com o sucesso de todos os alunos e alunas, procuram soluções e assumem uma postura investigativa? Praticar o ensino-pesquisa-que-procura significa superar tanto o ensino feito sem pesquisa quanto uma pesquisa feita sem ensino.

Maria Teresa Esteban e Edwiges Zaccur (Orgs.). Professora-pesquisadora: uma prática em construção. Rio de Janeiro: DP&A, 2002 (com adaptações).

Esse fragmento expressa uma reorientação na relação pesquisa-ensino que

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O fenômeno sociolingüístico constituído pela passagem da proparoxítona “tétano” para a paroxítona “teto”, na variedade apresentada, é observado também no emprego de

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Considerando o contexto do ensino de língua descrito no texto acima, analise o seguinte enunciado.

O uso de “teto” em lugar de tétano não deve ser considerado desconhecimento da língua

porque

esse uso revela a gramática interna da aluna.

Assinale a opção correta a respeito desse enunciado.

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    Antes de compreender o que significam as inovações tecnológicas, temos de refletir sobre o que são velhas e novas tecnologias. O atributo do velho ou do novo não está no produto, no artefato em si mesmo, ou na cronologia das invenções, mas depende da significação do humano, do uso que fazemos dele.

Juliane Corrêa. Novas tecnologias da informação e da comunicação; novas estratégias de ensino/aprendizagem. In: Carla Viana Coscarelli (Org.). Novas tecnologias, novos textos, novas formas de pensar. Belo Horizonte: Autêntica, 2003, p. 44 (com adaptações).

Relacionando as idéias do fragmento de texto acima à formação e à ação do professor em sala de aula, conclui-se que

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A respeito do processo de elaboração que resultou no folheto apresentado na questão anterior, julgue os itens que se seguem.

I -  A combinação entre o tema, o estilo das ilustrações e a escolha do traçado das letras revela crianças, ou público de baixa escolaridade, como o destinatário pretendido para esse texto.

II -  Apesar das poucas marcas de coesão, esse texto respeita as características do gênero textual que representa e atinge o objetivo pretendido: convidar para o festival.

III -  Coerentemente com o texto visual, que representa bonecos característicos da arte popular, a linguagem do texto verbal reproduz a linguagem popular, no uso de termos como “entrada franca”.

Está certo o que se afirma apenas em

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Para a interpretação do conjunto de informações do folheto de divulgação ao lado, que utiliza tecnologias diversificadas ao explorar texto visual e verbal, é necessário considerar que

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     Em casa, os amigos do jantar não se metiam a dissuadi-lo. Também não confirmavam nada, por vergonha uns dos outros; sorriam e desconversavam. (...) Rubião viaos fardados; ordenava um reconhecimento, um ataque, e não era necessário que eles saíssem a obedecer; o cérebro do anfitrião cumpria tudo. Quando Rubião deixava o campo de batalha para tornar à mesa, esta era outra. Já sem prataria, quase sem porcelanas nem cristais, ainda assim aparecia aos olhos de Rubião regiamente esplêndida. Pobres galinhas magras eram graduadas em faisões, assados de má morte traziam o sabor das mais finas iguarias da Terra. (...) Toda a mais casa, gasta, pelo tempo e pela incúria, tapetes desbotados, mobílias truncadas e descompostas, cortinas enxovalhadas, nada tinha o seu atual aspecto, mas outro, lustroso e magnífico.

Machado de Assis. Quincas Borba. São Paulo: W. M. Jackson Editores, 1955, p. 317-9 (fragmento). 

      A uns, a ironia no tratamento da cor local e de tudo que seja imediato pareceu uma desconsideração. Faltaria a Machado o amor de nossas coisas. Outros saudaram nele o nosso primeiro escritor com preocupações universais. Uma contra, outra a favor, as duas convicções registram a posição diminuída que acompanha a notação local no romance de Machado, e concluem daí para a pouca importância dela. Uma terceira corrente vê Machado sob o signo da dialética do local e do universal. Em Quincas Borba, o leitor a todo o momento encontra, lado a lado e bem distintos, o local e o universal. A Machado não interessava a sua síntese, mas a sua disparidade, a qual lhe parecia característica.

Roberto Schwarz. Que horas são? São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 167-70.(com adaptações).

De acordo com o texto de Roberto Schwarz, acerca da recepção crítica da obra de Machado de Assis, assinale a opção que interpreta corretamente o trecho de Quincas Borba, referente ao delírio do protagonista Rubião.

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     “Ao lermos, se estamos descobrindo a expressão de outrem, estamos também nos revelando, seja para nós mesmos, seja abertamente. Daí por que a troca de idéias nos acrescenta, permite dimensionarmo-nos melhor, esclarecendo-nos para nós mesmos, lendo nossos interlocutores. Tanto sabia disso Sócrates como o sabe o artista de rua: “conversando também conheço o que é que eu digo”.

Recepção e interação na leitura. In: Pensar a leitura: complexidade. Eliana Yunes (Org). Rio de Janeiro: PUCRio; São Paulo: Loyola, 2002, p. 105 (com adaptações).

A partir das reflexões do texto apresentado, assinale a opção correta a respeito da interação texto-leitor.

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Em qual das opções a seguir as duas palavras do texto estão sujeitas à redução do ditongo, fenômeno freqüente no português falado no Brasil?

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De acordo com abordagens da análise do discurso, a significação não se restringe apenas ao código lingüístico. Que versos evidenciam essa noção?

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Com base no poema acima, assinale a opção correta no que diz respeito à especificidade da linguagem literária.

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     Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo.

Leonardo Boff. A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997, p. 9.

Considerando o fragmento de texto acima apresentado, analise o seguinte enunciado.

Na leitura, fazemos mais do que decodificar as palavras

porque

a imagem impressa envolve atribuição de sentidos a partir do ponto de vista de quem lê.

Assinale a opção correta a respeito desse enunciado.

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