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Português Nível Superior
Exercício Trecho do Enunciado da Questão Ano Entidade Promotora  
0007109

Texto I


Não despertemos o leitor


             Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de

ler dormindo.

             Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o

mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.

             "A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir

sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz

mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois

todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco,

eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para

o grego comum da época, devia ser a delícia e a tábua de

salvação das conversas.

             Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço?

O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua

filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério

com ideias originais.

             Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão

qualquer declara em entrevista:

             "O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"

             O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a

imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto

possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois

nada foge ao seu destino histórico, seja um Império que desaba

ou uma barata esmagada.


(Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. v. único. p. 275-276)


Texto II


             Clichês são expressões tão utilizadas e repetidas que se

desgastaram e se afastaram de seu significado original. Essa

espécie de "preguiça linguística" que poupa esforços, inibe a

reflexão e multiplica a passividade entre interlocutor e receptor,

permeia todos os níveis da linguagem, da conversa de elevador

aos discursos políticos, passando, obviamente, pela mídia. Ao

usar clichês como muletas do discurso, o texto certamente flui

com facilidade - a linguagem, porém, empobrece.

             O clichê nasce como uma ideia criativa, mas é repetida à

exaustão e se transforma em um cacoete. Ele está inserido num

contexto que a gíria nunca alcança e o provérbio sempre

ultrapassa - a gíria pressupõe vitalidade e o provérbio, ao

contrário, já nasce cristalizado. Entre os chavões mais comuns

estão as locuções e combinações invariáveis de palavras

(sempre as mesmas, na mesma ordem), como "frio e calculista",

"mentira deslavada" e "chuva torrencial". Esse tipo de clichê

está presente na linguagem falada e escrita, seja formal ou

informal.

             O desconforto em relação ao uso de clichês está na

denotação de falta de originalidade, exigindo um mínimo de

produção e de interpretação. Por outro lado, os clichês presentes

em um texto, um filme ou uma conversa apenas são

entendidos como tal se os interlocutores tiverem referências em

comum. A tensão entre a necessidade de ser entendido e a

vontade de fazê-lo com expedientes criativos e originais pode

levar, num extremo, à adoção de uma linguagem privada e

ininteligível.

             Segundo o psicanalista e sociólogo alemão Alfred

Lorenzer, o indivíduo se afasta da interação social por conta do

uso de palavras-chave, que ele emprega sem pensar no que

significam e que recebe e repassa como moeda de mercado. A

escassez de significado que marca o clichê representa o

empobrecimento da linguagem e, por consequência, a incapacidade

de interpretar e criticar o mundo sensível dos fatos.

             Em outra visão, o sociólogo Anton C. Zijderveld defende

que "A vida social cotidiana é uma realidade impregnada por

convenções e este fato prosaico constitui a própria base da

ordem social. (...) Sem clichês, a sociedade degeneraria num

estranho caos".


(Adaptado de Tatiana Napoli. Língua portuguesa. São Paulo: escala educacional, no 17. p. 48-51)


Ambos os textos 

2009
Fund Carlos Chagas
0007110

Texto I


Não despertemos o leitor


             Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de

ler dormindo.

             Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o

mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.

             "A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir

sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz

mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois

todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco,

eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para

o grego comum da época, devia ser a delícia e a tábua de

salvação das conversas.

             Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço?

O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua

filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério

com ideias originais.

             Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão

qualquer declara em entrevista:

             "O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"

             O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a

imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto

possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois

nada foge ao seu destino histórico, seja um Império que desaba

ou uma barata esmagada.


(Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. v. único. p. 275-276)


Texto II


             Clichês são expressões tão utilizadas e repetidas que se

desgastaram e se afastaram de seu significado original. Essa

espécie de "preguiça linguística" que poupa esforços, inibe a

reflexão e multiplica a passividade entre interlocutor e receptor,

permeia todos os níveis da linguagem, da conversa de elevador

aos discursos políticos, passando, obviamente, pela mídia. Ao

usar clichês como muletas do discurso, o texto certamente flui

com facilidade - a linguagem, porém, empobrece.

             O clichê nasce como uma ideia criativa, mas é repetida à

exaustão e se transforma em um cacoete. Ele está inserido num

contexto que a gíria nunca alcança e o provérbio sempre

ultrapassa - a gíria pressupõe vitalidade e o provérbio, ao

contrário, já nasce cristalizado. Entre os chavões mais comuns

estão as locuções e combinações invariáveis de palavras

(sempre as mesmas, na mesma ordem), como "frio e calculista",

"mentira deslavada" e "chuva torrencial". Esse tipo de clichê

está presente na linguagem falada e escrita, seja formal ou

informal.

             O desconforto em relação ao uso de clichês está na

denotação de falta de originalidade, exigindo um mínimo de

produção e de interpretação. Por outro lado, os clichês presentes

em um texto, um filme ou uma conversa apenas são

entendidos como tal se os interlocutores tiverem referências em

comum. A tensão entre a necessidade de ser entendido e a

vontade de fazê-lo com expedientes criativos e originais pode

levar, num extremo, à adoção de uma linguagem privada e

ininteligível.

             Segundo o psicanalista e sociólogo alemão Alfred

Lorenzer, o indivíduo se afasta da interação social por conta do

uso de palavras-chave, que ele emprega sem pensar no que

significam e que recebe e repassa como moeda de mercado. A

escassez de significado que marca o clichê representa o

empobrecimento da linguagem e, por consequência, a incapacidade

de interpretar e criticar o mundo sensível dos fatos.

             Em outra visão, o sociólogo Anton C. Zijderveld defende

que "A vida social cotidiana é uma realidade impregnada por

convenções e este fato prosaico constitui a própria base da

ordem social. (...) Sem clichês, a sociedade degeneraria num

estranho caos".


(Adaptado de Tatiana Napoli. Língua portuguesa. São Paulo: escala educacional, no 17. p. 48-51)


Fica claro, no texto II, que os clichês 

2009
Fund Carlos Chagas
0007111

Texto I


Não despertemos o leitor


             Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de

ler dormindo.

             Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o

mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.

             "A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir

sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz

mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois

todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco,

eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para

o grego comum da época, devia ser a delícia e a tábua de

salvação das conversas.

             Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço?

O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua

filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério

com ideias originais.

             Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão

qualquer declara em entrevista:

             "O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"

             O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a

imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto

possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois

nada foge ao seu destino histórico, seja um Império que desaba

ou uma barata esmagada.


(Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. v. único. p. 275-276)


Texto II


             Clichês são expressões tão utilizadas e repetidas que se

desgastaram e se afastaram de seu significado original. Essa

espécie de "preguiça linguística" que poupa esforços, inibe a

reflexão e multiplica a passividade entre interlocutor e receptor,

permeia todos os níveis da linguagem, da conversa de elevador

aos discursos políticos, passando, obviamente, pela mídia. Ao

usar clichês como muletas do discurso, o texto certamente flui

com facilidade - a linguagem, porém, empobrece.

             O clichê nasce como uma ideia criativa, mas é repetida à

exaustão e se transforma em um cacoete. Ele está inserido num

contexto que a gíria nunca alcança e o provérbio sempre

ultrapassa - a gíria pressupõe vitalidade e o provérbio, ao

contrário, já nasce cristalizado. Entre os chavões mais comuns

estão as locuções e combinações invariáveis de palavras

(sempre as mesmas, na mesma ordem), como "frio e calculista",

"mentira deslavada" e "chuva torrencial". Esse tipo de clichê

está presente na linguagem falada e escrita, seja formal ou

informal.

             O desconforto em relação ao uso de clichês está na

denotação de falta de originalidade, exigindo um mínimo de

produção e de interpretação. Por outro lado, os clichês presentes

em um texto, um filme ou uma conversa apenas são

entendidos como tal se os interlocutores tiverem referências em

comum. A tensão entre a necessidade de ser entendido e a

vontade de fazê-lo com expedientes criativos e originais pode

levar, num extremo, à adoção de uma linguagem privada e

ininteligível.

             Segundo o psicanalista e sociólogo alemão Alfred

Lorenzer, o indivíduo se afasta da interação social por conta do

uso de palavras-chave, que ele emprega sem pensar no que

significam e que recebe e repassa como moeda de mercado. A

escassez de significado que marca o clichê representa o

empobrecimento da linguagem e, por consequência, a incapacidade

de interpretar e criticar o mundo sensível dos fatos.

             Em outra visão, o sociólogo Anton C. Zijderveld defende

que "A vida social cotidiana é uma realidade impregnada por

convenções e este fato prosaico constitui a própria base da

ordem social. (...) Sem clichês, a sociedade degeneraria num

estranho caos".


(Adaptado de Tatiana Napoli. Língua portuguesa. São Paulo: escala educacional, no 17. p. 48-51)


De acordo com o texto II, clichê, gíria e provérbio 

2009
Fund Carlos Chagas
0007112

Texto I


Não despertemos o leitor


             Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de

ler dormindo.

             Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o

mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.

             "A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir

sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz

mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois

todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco,

eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para

o grego comum da época, devia ser a delícia e a tábua de

salvação das conversas.

             Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço?

O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua

filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério

com ideias originais.

             Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão

qualquer declara em entrevista:

             "O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"

             O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a

imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto

possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois

nada foge ao seu destino histórico, seja um Império que desaba

ou uma barata esmagada.


(Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. v. único. p. 275-276)


Texto II


             Clichês são expressões tão utilizadas e repetidas que se

desgastaram e se afastaram de seu significado original. Essa

espécie de "preguiça linguística" que poupa esforços, inibe a

reflexão e multiplica a passividade entre interlocutor e receptor,

permeia todos os níveis da linguagem, da conversa de elevador

aos discursos políticos, passando, obviamente, pela mídia. Ao

usar clichês como muletas do discurso, o texto certamente flui

com facilidade - a linguagem, porém, empobrece.

             O clichê nasce como uma ideia criativa, mas é repetida à

exaustão e se transforma em um cacoete. Ele está inserido num

contexto que a gíria nunca alcança e o provérbio sempre

ultrapassa - a gíria pressupõe vitalidade e o provérbio, ao

contrário, já nasce cristalizado. Entre os chavões mais comuns

estão as locuções e combinações invariáveis de palavras

(sempre as mesmas, na mesma ordem), como "frio e calculista",

"mentira deslavada" e "chuva torrencial". Esse tipo de clichê

está presente na linguagem falada e escrita, seja formal ou

informal.

             O desconforto em relação ao uso de clichês está na

denotação de falta de originalidade, exigindo um mínimo de

produção e de interpretação. Por outro lado, os clichês presentes

em um texto, um filme ou uma conversa apenas são

entendidos como tal se os interlocutores tiverem referências em

comum. A tensão entre a necessidade de ser entendido e a

vontade de fazê-lo com expedientes criativos e originais pode

levar, num extremo, à adoção de uma linguagem privada e

ininteligível.

             Segundo o psicanalista e sociólogo alemão Alfred

Lorenzer, o indivíduo se afasta da interação social por conta do

uso de palavras-chave, que ele emprega sem pensar no que

significam e que recebe e repassa como moeda de mercado. A

escassez de significado que marca o clichê representa o

empobrecimento da linguagem e, por consequência, a incapacidade

de interpretar e criticar o mundo sensível dos fatos.

             Em outra visão, o sociólogo Anton C. Zijderveld defende

que "A vida social cotidiana é uma realidade impregnada por

convenções e este fato prosaico constitui a própria base da

ordem social. (...) Sem clichês, a sociedade degeneraria num

estranho caos".


(Adaptado de Tatiana Napoli. Língua portuguesa. São Paulo: escala educacional, no 17. p. 48-51)


Identifica-se noção de causa (1) e consequência (2), respectivamente, entre os segmentos do texto II: 

2009
Fund Carlos Chagas
0007113

Texto I


Não despertemos o leitor


             Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de

ler dormindo.

             Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o

mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.

             "A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir

sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz

mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois

todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco,

eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para

o grego comum da época, devia ser a delícia e a tábua de

salvação das conversas.

             Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço?

O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua

filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério

com ideias originais.

             Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão

qualquer declara em entrevista:

             "O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"

             O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a

imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto

possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois

nada foge ao seu destino histórico, seja um Império que desaba

ou uma barata esmagada.


(Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. v. único. p. 275-276)


Texto II


             Clichês são expressões tão utilizadas e repetidas que se

desgastaram e se afastaram de seu significado original. Essa

espécie de "preguiça linguística" que poupa esforços, inibe a

reflexão e multiplica a passividade entre interlocutor e receptor,

permeia todos os níveis da linguagem, da conversa de elevador

aos discursos políticos, passando, obviamente, pela mídia. Ao

usar clichês como muletas do discurso, o texto certamente flui

com facilidade - a linguagem, porém, empobrece.

             O clichê nasce como uma ideia criativa, mas é repetida à

exaustão e se transforma em um cacoete. Ele está inserido num

contexto que a gíria nunca alcança e o provérbio sempre

ultrapassa - a gíria pressupõe vitalidade e o provérbio, ao

contrário, já nasce cristalizado. Entre os chavões mais comuns

estão as locuções e combinações invariáveis de palavras

(sempre as mesmas, na mesma ordem), como "frio e calculista",

"mentira deslavada" e "chuva torrencial". Esse tipo de clichê

está presente na linguagem falada e escrita, seja formal ou

informal.

             O desconforto em relação ao uso de clichês está na

denotação de falta de originalidade, exigindo um mínimo de

produção e de interpretação. Por outro lado, os clichês presentes

em um texto, um filme ou uma conversa apenas são

entendidos como tal se os interlocutores tiverem referências em

comum. A tensão entre a necessidade de ser entendido e a

vontade de fazê-lo com expedientes criativos e originais pode

levar, num extremo, à adoção de uma linguagem privada e

ininteligível.

             Segundo o psicanalista e sociólogo alemão Alfred

Lorenzer, o indivíduo se afasta da interação social por conta do

uso de palavras-chave, que ele emprega sem pensar no que

significam e que recebe e repassa como moeda de mercado. A

escassez de significado que marca o clichê representa o

empobrecimento da linguagem e, por consequência, a incapacidade

de interpretar e criticar o mundo sensível dos fatos.

             Em outra visão, o sociólogo Anton C. Zijderveld defende

que "A vida social cotidiana é uma realidade impregnada por

convenções e este fato prosaico constitui a própria base da

ordem social. (...) Sem clichês, a sociedade degeneraria num

estranho caos".


(Adaptado de Tatiana Napoli. Língua portuguesa. São Paulo: escala educacional, no 17. p. 48-51)


O 4° parágrafo do texto II justifica a afirmativa de que 

2009
Fund Carlos Chagas
0007114

Texto I


Não despertemos o leitor


             Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de

ler dormindo.

             Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o

mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.

             "A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir

sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz

mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois

todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco,

eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para

o grego comum da época, devia ser a delícia e a tábua de

salvação das conversas.

             Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço?

O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua

filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério

com ideias originais.

             Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão

qualquer declara em entrevista:

             "O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"

             O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a

imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto

possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois

nada foge ao seu destino histórico, seja um Império que desaba

ou uma barata esmagada.


(Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. v. único. p. 275-276)


Texto II


             Clichês são expressões tão utilizadas e repetidas que se

desgastaram e se afastaram de seu significado original. Essa

espécie de "preguiça linguística" que poupa esforços, inibe a

reflexão e multiplica a passividade entre interlocutor e receptor,

permeia todos os níveis da linguagem, da conversa de elevador

aos discursos políticos, passando, obviamente, pela mídia. Ao

usar clichês como muletas do discurso, o texto certamente flui

com facilidade - a linguagem, porém, empobrece.

             O clichê nasce como uma ideia criativa, mas é repetida à

exaustão e se transforma em um cacoete. Ele está inserido num

contexto que a gíria nunca alcança e o provérbio sempre

ultrapassa - a gíria pressupõe vitalidade e o provérbio, ao

contrário, já nasce cristalizado. Entre os chavões mais comuns

estão as locuções e combinações invariáveis de palavras

(sempre as mesmas, na mesma ordem), como "frio e calculista",

"mentira deslavada" e "chuva torrencial". Esse tipo de clichê

está presente na linguagem falada e escrita, seja formal ou

informal.

             O desconforto em relação ao uso de clichês está na

denotação de falta de originalidade, exigindo um mínimo de

produção e de interpretação. Por outro lado, os clichês presentes

em um texto, um filme ou uma conversa apenas são

entendidos como tal se os interlocutores tiverem referências em

comum. A tensão entre a necessidade de ser entendido e a

vontade de fazê-lo com expedientes criativos e originais pode

levar, num extremo, à adoção de uma linguagem privada e

ininteligível.

             Segundo o psicanalista e sociólogo alemão Alfred

Lorenzer, o indivíduo se afasta da interação social por conta do

uso de palavras-chave, que ele emprega sem pensar no que

significam e que recebe e repassa como moeda de mercado. A

escassez de significado que marca o clichê representa o

empobrecimento da linguagem e, por consequência, a incapacidade

de interpretar e criticar o mundo sensível dos fatos.

             Em outra visão, o sociólogo Anton C. Zijderveld defende

que "A vida social cotidiana é uma realidade impregnada por

convenções e este fato prosaico constitui a própria base da

ordem social. (...) Sem clichês, a sociedade degeneraria num

estranho caos".


(Adaptado de Tatiana Napoli. Língua portuguesa. São Paulo: escala educacional, no 17. p. 48-51)


O sentido do último parágrafo do texto II aproxima-se, no texto I, da afirmativa: 

2009
Fund Carlos Chagas
0007115

Texto I


Não despertemos o leitor


             Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de

ler dormindo.

             Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o

mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.

             "A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir

sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz

mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois

todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco,

eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para

o grego comum da época, devia ser a delícia e a tábua de

salvação das conversas.

             Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço?

O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua

filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério

com ideias originais.

             Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão

qualquer declara em entrevista:

             "O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"

             O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a

imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto

possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois

nada foge ao seu destino histórico, seja um Império que desaba

ou uma barata esmagada.


(Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. v. único. p. 275-276)


Texto II


             Clichês são expressões tão utilizadas e repetidas que se

desgastaram e se afastaram de seu significado original. Essa

espécie de "preguiça linguística" que poupa esforços, inibe a

reflexão e multiplica a passividade entre interlocutor e receptor,

permeia todos os níveis da linguagem, da conversa de elevador

aos discursos políticos, passando, obviamente, pela mídia. Ao

usar clichês como muletas do discurso, o texto certamente flui

com facilidade - a linguagem, porém, empobrece.

             O clichê nasce como uma ideia criativa, mas é repetida à

exaustão e se transforma em um cacoete. Ele está inserido num

contexto que a gíria nunca alcança e o provérbio sempre

ultrapassa - a gíria pressupõe vitalidade e o provérbio, ao

contrário, já nasce cristalizado. Entre os chavões mais comuns

estão as locuções e combinações invariáveis de palavras

(sempre as mesmas, na mesma ordem), como "frio e calculista",

"mentira deslavada" e "chuva torrencial". Esse tipo de clichê

está presente na linguagem falada e escrita, seja formal ou

informal.

             O desconforto em relação ao uso de clichês está na

denotação de falta de originalidade, exigindo um mínimo de

produção e de interpretação. Por outro lado, os clichês presentes

em um texto, um filme ou uma conversa apenas são

entendidos como tal se os interlocutores tiverem referências em

comum. A tensão entre a necessidade de ser entendido e a

vontade de fazê-lo com expedientes criativos e originais pode

levar, num extremo, à adoção de uma linguagem privada e

ininteligível.

             Segundo o psicanalista e sociólogo alemão Alfred

Lorenzer, o indivíduo se afasta da interação social por conta do

uso de palavras-chave, que ele emprega sem pensar no que

significam e que recebe e repassa como moeda de mercado. A

escassez de significado que marca o clichê representa o

empobrecimento da linguagem e, por consequência, a incapacidade

de interpretar e criticar o mundo sensível dos fatos.

             Em outra visão, o sociólogo Anton C. Zijderveld defende

que "A vida social cotidiana é uma realidade impregnada por

convenções e este fato prosaico constitui a própria base da

ordem social. (...) Sem clichês, a sociedade degeneraria num

estranho caos".


(Adaptado de Tatiana Napoli. Língua portuguesa. São Paulo: escala educacional, no 17. p. 48-51)


O pensamento dos especialistas citados nos dois últimos parágrafos do texto II está sintetizado, respectivamente, nas expressões: 

2009
Fund Carlos Chagas
0007116

Texto I


Não despertemos o leitor


             Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de

ler dormindo.

             Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o

mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.

             "A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir

sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz

mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois

todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco,

eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para

o grego comum da época, devia ser a delícia e a tábua de

salvação das conversas.

             Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço?

O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua

filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério

com ideias originais.

             Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão

qualquer declara em entrevista:

             "O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"

             O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a

imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto

possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois

nada foge ao seu destino histórico, seja um Império que desaba

ou uma barata esmagada.


(Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. v. único. p. 275-276)


Texto II


             Clichês são expressões tão utilizadas e repetidas que se

desgastaram e se afastaram de seu significado original. Essa

espécie de "preguiça linguística" que poupa esforços, inibe a

reflexão e multiplica a passividade entre interlocutor e receptor,

permeia todos os níveis da linguagem, da conversa de elevador

aos discursos políticos, passando, obviamente, pela mídia. Ao

usar clichês como muletas do discurso, o texto certamente flui

com facilidade - a linguagem, porém, empobrece.

             O clichê nasce como uma ideia criativa, mas é repetida à

exaustão e se transforma em um cacoete. Ele está inserido num

contexto que a gíria nunca alcança e o provérbio sempre

ultrapassa - a gíria pressupõe vitalidade e o provérbio, ao

contrário, já nasce cristalizado. Entre os chavões mais comuns

estão as locuções e combinações invariáveis de palavras

(sempre as mesmas, na mesma ordem), como "frio e calculista",

"mentira deslavada" e "chuva torrencial". Esse tipo de clichê

está presente na linguagem falada e escrita, seja formal ou

informal.

             O desconforto em relação ao uso de clichês está na

denotação de falta de originalidade, exigindo um mínimo de

produção e de interpretação. Por outro lado, os clichês presentes

em um texto, um filme ou uma conversa apenas são

entendidos como tal se os interlocutores tiverem referências em

comum. A tensão entre a necessidade de ser entendido e a

vontade de fazê-lo com expedientes criativos e originais pode

levar, num extremo, à adoção de uma linguagem privada e

ininteligível.

             Segundo o psicanalista e sociólogo alemão Alfred

Lorenzer, o indivíduo se afasta da interação social por conta do

uso de palavras-chave, que ele emprega sem pensar no que

significam e que recebe e repassa como moeda de mercado. A

escassez de significado que marca o clichê representa o

empobrecimento da linguagem e, por consequência, a incapacidade

de interpretar e criticar o mundo sensível dos fatos.

             Em outra visão, o sociólogo Anton C. Zijderveld defende

que "A vida social cotidiana é uma realidade impregnada por

convenções e este fato prosaico constitui a própria base da

ordem social. (...) Sem clichês, a sociedade degeneraria num

estranho caos".


(Adaptado de Tatiana Napoli. Língua portuguesa. São Paulo: escala educacional, no 17. p. 48-51)


- a linguagem, porém, empobrece. (1° parágrafo - texto II) O segmento isolado pelo travessão indica, no contexto, 

2009
Fund Carlos Chagas
0007117

Texto I


Não despertemos o leitor


             Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de

ler dormindo.

             Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o

mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.

             "A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir

sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz

mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois

todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco,

eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para

o grego comum da época, devia ser a delícia e a tábua de

salvação das conversas.

             Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço?

O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua

filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério

com ideias originais.

             Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão

qualquer declara em entrevista:

             "O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"

             O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a

imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto

possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois

nada foge ao seu destino histórico, seja um Império que desaba

ou uma barata esmagada.


(Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. v. único. p. 275-276)


Texto II


             Clichês são expressões tão utilizadas e repetidas que se

desgastaram e se afastaram de seu significado original. Essa

espécie de "preguiça linguística" que poupa esforços, inibe a

reflexão e multiplica a passividade entre interlocutor e receptor,

permeia todos os níveis da linguagem, da conversa de elevador

aos discursos políticos, passando, obviamente, pela mídia. Ao

usar clichês como muletas do discurso, o texto certamente flui

com facilidade - a linguagem, porém, empobrece.

             O clichê nasce como uma ideia criativa, mas é repetida à

exaustão e se transforma em um cacoete. Ele está inserido num

contexto que a gíria nunca alcança e o provérbio sempre

ultrapassa - a gíria pressupõe vitalidade e o provérbio, ao

contrário, já nasce cristalizado. Entre os chavões mais comuns

estão as locuções e combinações invariáveis de palavras

(sempre as mesmas, na mesma ordem), como "frio e calculista",

"mentira deslavada" e "chuva torrencial". Esse tipo de clichê

está presente na linguagem falada e escrita, seja formal ou

informal.

             O desconforto em relação ao uso de clichês está na

denotação de falta de originalidade, exigindo um mínimo de

produção e de interpretação. Por outro lado, os clichês presentes

em um texto, um filme ou uma conversa apenas são

entendidos como tal se os interlocutores tiverem referências em

comum. A tensão entre a necessidade de ser entendido e a

vontade de fazê-lo com expedientes criativos e originais pode

levar, num extremo, à adoção de uma linguagem privada e

ininteligível.

             Segundo o psicanalista e sociólogo alemão Alfred

Lorenzer, o indivíduo se afasta da interação social por conta do

uso de palavras-chave, que ele emprega sem pensar no que

significam e que recebe e repassa como moeda de mercado. A

escassez de significado que marca o clichê representa o

empobrecimento da linguagem e, por consequência, a incapacidade

de interpretar e criticar o mundo sensível dos fatos.

             Em outra visão, o sociólogo Anton C. Zijderveld defende

que "A vida social cotidiana é uma realidade impregnada por

convenções e este fato prosaico constitui a própria base da

ordem social. (...) Sem clichês, a sociedade degeneraria num

estranho caos".


(Adaptado de Tatiana Napoli. Língua portuguesa. São Paulo: escala educacional, no 17. p. 48-51)


Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço? (4° parágrafo - texto I) A questão acima encontra, no texto II, observação de sentido idêntico no segmento: 

2009
Fund Carlos Chagas
0007118

Texto I


Não despertemos o leitor


             Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de

ler dormindo.

             Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o

mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.

             "A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir

sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz

mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois

todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco,

eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para

o grego comum da época, devia ser a delícia e a tábua de

salvação das conversas.

             Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço?

O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua

filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério

com ideias originais.

             Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão

qualquer declara em entrevista:

             "O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"

             O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a

imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto

possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois

nada foge ao seu destino histórico, seja um Império que desaba

ou uma barata esmagada.


(Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. v. único. p. 275-276)


Texto II


             Clichês são expressões tão utilizadas e repetidas que se

desgastaram e se afastaram de seu significado original. Essa

espécie de "preguiça linguística" que poupa esforços, inibe a

reflexão e multiplica a passividade entre interlocutor e receptor,

permeia todos os níveis da linguagem, da conversa de elevador

aos discursos políticos, passando, obviamente, pela mídia. Ao

usar clichês como muletas do discurso, o texto certamente flui

com facilidade - a linguagem, porém, empobrece.

             O clichê nasce como uma ideia criativa, mas é repetida à

exaustão e se transforma em um cacoete. Ele está inserido num

contexto que a gíria nunca alcança e o provérbio sempre

ultrapassa - a gíria pressupõe vitalidade e o provérbio, ao

contrário, já nasce cristalizado. Entre os chavões mais comuns

estão as locuções e combinações invariáveis de palavras

(sempre as mesmas, na mesma ordem), como "frio e calculista",

"mentira deslavada" e "chuva torrencial". Esse tipo de clichê

está presente na linguagem falada e escrita, seja formal ou

informal.

             O desconforto em relação ao uso de clichês está na

denotação de falta de originalidade, exigindo um mínimo de

produção e de interpretação. Por outro lado, os clichês presentes

em um texto, um filme ou uma conversa apenas são

entendidos como tal se os interlocutores tiverem referências em

comum. A tensão entre a necessidade de ser entendido e a

vontade de fazê-lo com expedientes criativos e originais pode

levar, num extremo, à adoção de uma linguagem privada e

ininteligível.

             Segundo o psicanalista e sociólogo alemão Alfred

Lorenzer, o indivíduo se afasta da interação social por conta do

uso de palavras-chave, que ele emprega sem pensar no que

significam e que recebe e repassa como moeda de mercado. A

escassez de significado que marca o clichê representa o

empobrecimento da linguagem e, por consequência, a incapacidade

de interpretar e criticar o mundo sensível dos fatos.

             Em outra visão, o sociólogo Anton C. Zijderveld defende

que "A vida social cotidiana é uma realidade impregnada por

convenções e este fato prosaico constitui a própria base da

ordem social. (...) Sem clichês, a sociedade degeneraria num

estranho caos".


(Adaptado de Tatiana Napoli. Língua portuguesa. São Paulo: escala educacional, no 17. p. 48-51)


A afirmativa do texto I empregada com sentido conotativo é: 

2009
Fund Carlos Chagas
0007119

Tempo sem passado


          Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do nosso

tempo, acredita que nunca o conhecimento da História se fez

tão necessário como nestes dias em que, justamente, muitos a

julgam quase irrelevante. O fato de o século XX ter sido

marcado, ao mesmo tempo, por massacres e guerras, de um

lado, e por um notável avanço das ciências e da tecnologia, de

outro, talvez ajude a entender por que o homem contemporâneo

parece ter fechado os olhos para o passado longínquo ou

recente, e viva o presente com a sensação de já estar instalado

no futuro. Nesse vão do tempo, em que a velocidade do que é

novo se traduz a cada dia numa espécie de arrebatadora

vertigem, não há pausa para qualquer reflexão que implique

dúvida, desconfiança ou hesitação. Nunca se viu tanta gente

afirmar, a propósito de qualquer coisa: “Com certeza!”

          A História nos ensina que não há fatos estanques, ou

rupturas absolutas: há alguma continuidade na transformação,

algum encadeamento na progressão. Os processos da

civilização não constituem saltos caprichosos e inexplicáveis,

por isso é um erro imaginar que o que se vive hoje é uma

inauguração absoluta. Mesmo os avanços no campo da

informática ou da neurociência, erroneamente vistos como

verdadeiros “milagres”, compõem uma sequência histórica

esclarecedora.

          O problema maior está em que o homem

contemporâneo, cético em relação ao passado, não conserva

deste lições que podem ser preciosas no futuro. O primeiro

grande cientista político, Maquiavel, preocupado com a

unificação de uma Itália dividida em principados, foi buscar em

grandes líderes políticos do passado inspiração para as ações

necessárias no presente. Sua intuição lhe dizia (e há quem

aproveite suas lições até hoje) que o jogo do poder não muda

em sua essência, apenas variam as circunstâncias.

          Considere-se, ainda, o aspecto afetivo da nossa

memória. Nossa sensibilidade acusa momentos marcantes,

experiências inesquecíveis, que continuam a produzir efeito em

nossa personalidade, em nosso modo de ver o mundo. Se os

valores da nossa biografia ajudam a esclarecer o sentido de

nossa trajetória pessoal, por que imaginar que a História não

tenha o que dizer quanto ao sentido da caminhada que

estamos todos empreendendo?


(Aristeu de Valença, inédito)


A afirmação de Hobsbawm - nunca o conhecimento da História se fez tão necessário como nestes dias - deve-se ao fato de que 

2009
Fund Carlos Chagas
0007120

Tempo sem passado


          Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do nosso

tempo, acredita que nunca o conhecimento da História se fez

tão necessário como nestes dias em que, justamente, muitos a

julgam quase irrelevante. O fato de o século XX ter sido

marcado, ao mesmo tempo, por massacres e guerras, de um

lado, e por um notável avanço das ciências e da tecnologia, de

outro, talvez ajude a entender por que o homem contemporâneo

parece ter fechado os olhos para o passado longínquo ou

recente, e viva o presente com a sensação de já estar instalado

no futuro. Nesse vão do tempo, em que a velocidade do que é

novo se traduz a cada dia numa espécie de arrebatadora

vertigem, não há pausa para qualquer reflexão que implique

dúvida, desconfiança ou hesitação. Nunca se viu tanta gente

afirmar, a propósito de qualquer coisa: “Com certeza!”

          A História nos ensina que não há fatos estanques, ou

rupturas absolutas: há alguma continuidade na transformação,

algum encadeamento na progressão. Os processos da

civilização não constituem saltos caprichosos e inexplicáveis,

por isso é um erro imaginar que o que se vive hoje é uma

inauguração absoluta. Mesmo os avanços no campo da

informática ou da neurociência, erroneamente vistos como

verdadeiros “milagres”, compõem uma sequência histórica

esclarecedora.

          O problema maior está em que o homem

contemporâneo, cético em relação ao passado, não conserva

deste lições que podem ser preciosas no futuro. O primeiro

grande cientista político, Maquiavel, preocupado com a

unificação de uma Itália dividida em principados, foi buscar em

grandes líderes políticos do passado inspiração para as ações

necessárias no presente. Sua intuição lhe dizia (e há quem

aproveite suas lições até hoje) que o jogo do poder não muda

em sua essência, apenas variam as circunstâncias.

          Considere-se, ainda, o aspecto afetivo da nossa

memória. Nossa sensibilidade acusa momentos marcantes,

experiências inesquecíveis, que continuam a produzir efeito em

nossa personalidade, em nosso modo de ver o mundo. Se os

valores da nossa biografia ajudam a esclarecer o sentido de

nossa trajetória pessoal, por que imaginar que a História não

tenha o que dizer quanto ao sentido da caminhada que

estamos todos empreendendo?


(Aristeu de Valença, inédito)


Atente para as seguintes afirmações:


I. O autor considera que os momentos de dúvida e de hesitação que marcam o homem contemporâneo devem-se à falta de consciência histórica. 

II. Os processos da História, diferentemente dos que ocorrem com a ciência, não dão saltos caprichosos, pois há encadeamento em sua progressão. 

III. A importância que tem a memória pessoal para cada indivíduo é análoga à que tem a História para a compreensão da caminhada humana. 


Em relação ao texto, está correto o que se afirma SOMENTE em 

2009
Fund Carlos Chagas
0007121

Tempo sem passado


          Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do nosso

tempo, acredita que nunca o conhecimento da História se fez

tão necessário como nestes dias em que, justamente, muitos a

julgam quase irrelevante. O fato de o século XX ter sido

marcado, ao mesmo tempo, por massacres e guerras, de um

lado, e por um notável avanço das ciências e da tecnologia, de

outro, talvez ajude a entender por que o homem contemporâneo

parece ter fechado os olhos para o passado longínquo ou

recente, e viva o presente com a sensação de já estar instalado

no futuro. Nesse vão do tempo, em que a velocidade do que é

novo se traduz a cada dia numa espécie de arrebatadora

vertigem, não há pausa para qualquer reflexão que implique

dúvida, desconfiança ou hesitação. Nunca se viu tanta gente

afirmar, a propósito de qualquer coisa: “Com certeza!”

          A História nos ensina que não há fatos estanques, ou

rupturas absolutas: há alguma continuidade na transformação,

algum encadeamento na progressão. Os processos da

civilização não constituem saltos caprichosos e inexplicáveis,

por isso é um erro imaginar que o que se vive hoje é uma

inauguração absoluta. Mesmo os avanços no campo da

informática ou da neurociência, erroneamente vistos como

verdadeiros “milagres”, compõem uma sequência histórica

esclarecedora.

          O problema maior está em que o homem

contemporâneo, cético em relação ao passado, não conserva

deste lições que podem ser preciosas no futuro. O primeiro

grande cientista político, Maquiavel, preocupado com a

unificação de uma Itália dividida em principados, foi buscar em

grandes líderes políticos do passado inspiração para as ações

necessárias no presente. Sua intuição lhe dizia (e há quem

aproveite suas lições até hoje) que o jogo do poder não muda

em sua essência, apenas variam as circunstâncias.

          Considere-se, ainda, o aspecto afetivo da nossa

memória. Nossa sensibilidade acusa momentos marcantes,

experiências inesquecíveis, que continuam a produzir efeito em

nossa personalidade, em nosso modo de ver o mundo. Se os

valores da nossa biografia ajudam a esclarecer o sentido de

nossa trajetória pessoal, por que imaginar que a História não

tenha o que dizer quanto ao sentido da caminhada que

estamos todos empreendendo?


(Aristeu de Valença, inédito)


Identifique a afirmação que NÃO integra a mesma linha de argumentação explicitada no conjunto das demais alternativas: 

2009
Fund Carlos Chagas
0007122

Tempo sem passado


          Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do nosso

tempo, acredita que nunca o conhecimento da História se fez

tão necessário como nestes dias em que, justamente, muitos a

julgam quase irrelevante. O fato de o século XX ter sido

marcado, ao mesmo tempo, por massacres e guerras, de um

lado, e por um notável avanço das ciências e da tecnologia, de

outro, talvez ajude a entender por que o homem contemporâneo

parece ter fechado os olhos para o passado longínquo ou

recente, e viva o presente com a sensação de já estar instalado

no futuro. Nesse vão do tempo, em que a velocidade do que é

novo se traduz a cada dia numa espécie de arrebatadora

vertigem, não há pausa para qualquer reflexão que implique

dúvida, desconfiança ou hesitação. Nunca se viu tanta gente

afirmar, a propósito de qualquer coisa: “Com certeza!”

          A História nos ensina que não há fatos estanques, ou

rupturas absolutas: há alguma continuidade na transformação,

algum encadeamento na progressão. Os processos da

civilização não constituem saltos caprichosos e inexplicáveis,

por isso é um erro imaginar que o que se vive hoje é uma

inauguração absoluta. Mesmo os avanços no campo da

informática ou da neurociência, erroneamente vistos como

verdadeiros “milagres”, compõem uma sequência histórica

esclarecedora.

          O problema maior está em que o homem

contemporâneo, cético em relação ao passado, não conserva

deste lições que podem ser preciosas no futuro. O primeiro

grande cientista político, Maquiavel, preocupado com a

unificação de uma Itália dividida em principados, foi buscar em

grandes líderes políticos do passado inspiração para as ações

necessárias no presente. Sua intuição lhe dizia (e há quem

aproveite suas lições até hoje) que o jogo do poder não muda

em sua essência, apenas variam as circunstâncias.

          Considere-se, ainda, o aspecto afetivo da nossa

memória. Nossa sensibilidade acusa momentos marcantes,

experiências inesquecíveis, que continuam a produzir efeito em

nossa personalidade, em nosso modo de ver o mundo. Se os

valores da nossa biografia ajudam a esclarecer o sentido de

nossa trajetória pessoal, por que imaginar que a História não

tenha o que dizer quanto ao sentido da caminhada que

estamos todos empreendendo?


(Aristeu de Valença, inédito)


Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em: 

2009
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0007123

Tempo sem passado


          Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do nosso

tempo, acredita que nunca o conhecimento da História se fez

tão necessário como nestes dias em que, justamente, muitos a

julgam quase irrelevante. O fato de o século XX ter sido

marcado, ao mesmo tempo, por massacres e guerras, de um

lado, e por um notável avanço das ciências e da tecnologia, de

outro, talvez ajude a entender por que o homem contemporâneo

parece ter fechado os olhos para o passado longínquo ou

recente, e viva o presente com a sensação de já estar instalado

no futuro. Nesse vão do tempo, em que a velocidade do que é

novo se traduz a cada dia numa espécie de arrebatadora

vertigem, não há pausa para qualquer reflexão que implique

dúvida, desconfiança ou hesitação. Nunca se viu tanta gente

afirmar, a propósito de qualquer coisa: “Com certeza!”

          A História nos ensina que não há fatos estanques, ou

rupturas absolutas: há alguma continuidade na transformação,

algum encadeamento na progressão. Os processos da

civilização não constituem saltos caprichosos e inexplicáveis,

por isso é um erro imaginar que o que se vive hoje é uma

inauguração absoluta. Mesmo os avanços no campo da

informática ou da neurociência, erroneamente vistos como

verdadeiros “milagres”, compõem uma sequência histórica

esclarecedora.

          O problema maior está em que o homem

contemporâneo, cético em relação ao passado, não conserva

deste lições que podem ser preciosas no futuro. O primeiro

grande cientista político, Maquiavel, preocupado com a

unificação de uma Itália dividida em principados, foi buscar em

grandes líderes políticos do passado inspiração para as ações

necessárias no presente. Sua intuição lhe dizia (e há quem

aproveite suas lições até hoje) que o jogo do poder não muda

em sua essência, apenas variam as circunstâncias.

          Considere-se, ainda, o aspecto afetivo da nossa

memória. Nossa sensibilidade acusa momentos marcantes,

experiências inesquecíveis, que continuam a produzir efeito em

nossa personalidade, em nosso modo de ver o mundo. Se os

valores da nossa biografia ajudam a esclarecer o sentido de

nossa trajetória pessoal, por que imaginar que a História não

tenha o que dizer quanto ao sentido da caminhada que

estamos todos empreendendo?


(Aristeu de Valença, inédito)


São razões possíveis, aventadas no texto, para o fato de nossa época ignorar a importância do conhecimento da História: 

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0007124

Tempo sem passado


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tempo, acredita que nunca o conhecimento da História se fez

tão necessário como nestes dias em que, justamente, muitos a

julgam quase irrelevante. O fato de o século XX ter sido

marcado, ao mesmo tempo, por massacres e guerras, de um

lado, e por um notável avanço das ciências e da tecnologia, de

outro, talvez ajude a entender por que o homem contemporâneo

parece ter fechado os olhos para o passado longínquo ou

recente, e viva o presente com a sensação de já estar instalado

no futuro. Nesse vão do tempo, em que a velocidade do que é

novo se traduz a cada dia numa espécie de arrebatadora

vertigem, não há pausa para qualquer reflexão que implique

dúvida, desconfiança ou hesitação. Nunca se viu tanta gente

afirmar, a propósito de qualquer coisa: “Com certeza!”

          A História nos ensina que não há fatos estanques, ou

rupturas absolutas: há alguma continuidade na transformação,

algum encadeamento na progressão. Os processos da

civilização não constituem saltos caprichosos e inexplicáveis,

por isso é um erro imaginar que o que se vive hoje é uma

inauguração absoluta. Mesmo os avanços no campo da

informática ou da neurociência, erroneamente vistos como

verdadeiros “milagres”, compõem uma sequência histórica

esclarecedora.

          O problema maior está em que o homem

contemporâneo, cético em relação ao passado, não conserva

deste lições que podem ser preciosas no futuro. O primeiro

grande cientista político, Maquiavel, preocupado com a

unificação de uma Itália dividida em principados, foi buscar em

grandes líderes políticos do passado inspiração para as ações

necessárias no presente. Sua intuição lhe dizia (e há quem

aproveite suas lições até hoje) que o jogo do poder não muda

em sua essência, apenas variam as circunstâncias.

          Considere-se, ainda, o aspecto afetivo da nossa

memória. Nossa sensibilidade acusa momentos marcantes,

experiências inesquecíveis, que continuam a produzir efeito em

nossa personalidade, em nosso modo de ver o mundo. Se os

valores da nossa biografia ajudam a esclarecer o sentido de

nossa trajetória pessoal, por que imaginar que a História não

tenha o que dizer quanto ao sentido da caminhada que

estamos todos empreendendo?


(Aristeu de Valença, inédito)


As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase: 

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Tempo sem passado


          Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do nosso

tempo, acredita que nunca o conhecimento da História se fez

tão necessário como nestes dias em que, justamente, muitos a

julgam quase irrelevante. O fato de o século XX ter sido

marcado, ao mesmo tempo, por massacres e guerras, de um

lado, e por um notável avanço das ciências e da tecnologia, de

outro, talvez ajude a entender por que o homem contemporâneo

parece ter fechado os olhos para o passado longínquo ou

recente, e viva o presente com a sensação de já estar instalado

no futuro. Nesse vão do tempo, em que a velocidade do que é

novo se traduz a cada dia numa espécie de arrebatadora

vertigem, não há pausa para qualquer reflexão que implique

dúvida, desconfiança ou hesitação. Nunca se viu tanta gente

afirmar, a propósito de qualquer coisa: “Com certeza!”

          A História nos ensina que não há fatos estanques, ou

rupturas absolutas: há alguma continuidade na transformação,

algum encadeamento na progressão. Os processos da

civilização não constituem saltos caprichosos e inexplicáveis,

por isso é um erro imaginar que o que se vive hoje é uma

inauguração absoluta. Mesmo os avanços no campo da

informática ou da neurociência, erroneamente vistos como

verdadeiros “milagres”, compõem uma sequência histórica

esclarecedora.

          O problema maior está em que o homem

contemporâneo, cético em relação ao passado, não conserva

deste lições que podem ser preciosas no futuro. O primeiro

grande cientista político, Maquiavel, preocupado com a

unificação de uma Itália dividida em principados, foi buscar em

grandes líderes políticos do passado inspiração para as ações

necessárias no presente. Sua intuição lhe dizia (e há quem

aproveite suas lições até hoje) que o jogo do poder não muda

em sua essência, apenas variam as circunstâncias.

          Considere-se, ainda, o aspecto afetivo da nossa

memória. Nossa sensibilidade acusa momentos marcantes,

experiências inesquecíveis, que continuam a produzir efeito em

nossa personalidade, em nosso modo de ver o mundo. Se os

valores da nossa biografia ajudam a esclarecer o sentido de

nossa trajetória pessoal, por que imaginar que a História não

tenha o que dizer quanto ao sentido da caminhada que

estamos todos empreendendo?


(Aristeu de Valença, inédito)


Está adequada a correlação entre tempos e modos verbais na frase: 

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Tempo sem passado


          Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do nosso

tempo, acredita que nunca o conhecimento da História se fez

tão necessário como nestes dias em que, justamente, muitos a

julgam quase irrelevante. O fato de o século XX ter sido

marcado, ao mesmo tempo, por massacres e guerras, de um

lado, e por um notável avanço das ciências e da tecnologia, de

outro, talvez ajude a entender por que o homem contemporâneo

parece ter fechado os olhos para o passado longínquo ou

recente, e viva o presente com a sensação de já estar instalado

no futuro. Nesse vão do tempo, em que a velocidade do que é

novo se traduz a cada dia numa espécie de arrebatadora

vertigem, não há pausa para qualquer reflexão que implique

dúvida, desconfiança ou hesitação. Nunca se viu tanta gente

afirmar, a propósito de qualquer coisa: “Com certeza!”

          A História nos ensina que não há fatos estanques, ou

rupturas absolutas: há alguma continuidade na transformação,

algum encadeamento na progressão. Os processos da

civilização não constituem saltos caprichosos e inexplicáveis,

por isso é um erro imaginar que o que se vive hoje é uma

inauguração absoluta. Mesmo os avanços no campo da

informática ou da neurociência, erroneamente vistos como

verdadeiros “milagres”, compõem uma sequência histórica

esclarecedora.

          O problema maior está em que o homem

contemporâneo, cético em relação ao passado, não conserva

deste lições que podem ser preciosas no futuro. O primeiro

grande cientista político, Maquiavel, preocupado com a

unificação de uma Itália dividida em principados, foi buscar em

grandes líderes políticos do passado inspiração para as ações

necessárias no presente. Sua intuição lhe dizia (e há quem

aproveite suas lições até hoje) que o jogo do poder não muda

em sua essência, apenas variam as circunstâncias.

          Considere-se, ainda, o aspecto afetivo da nossa

memória. Nossa sensibilidade acusa momentos marcantes,

experiências inesquecíveis, que continuam a produzir efeito em

nossa personalidade, em nosso modo de ver o mundo. Se os

valores da nossa biografia ajudam a esclarecer o sentido de

nossa trajetória pessoal, por que imaginar que a História não

tenha o que dizer quanto ao sentido da caminhada que

estamos todos empreendendo?


(Aristeu de Valença, inédito)


Está clara e correta a redação do seguinte comentário sobre o texto: 

2009
Fund Carlos Chagas
0007127

Tempo sem passado


          Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do nosso

tempo, acredita que nunca o conhecimento da História se fez

tão necessário como nestes dias em que, justamente, muitos a

julgam quase irrelevante. O fato de o século XX ter sido

marcado, ao mesmo tempo, por massacres e guerras, de um

lado, e por um notável avanço das ciências e da tecnologia, de

outro, talvez ajude a entender por que o homem contemporâneo

parece ter fechado os olhos para o passado longínquo ou

recente, e viva o presente com a sensação de já estar instalado

no futuro. Nesse vão do tempo, em que a velocidade do que é

novo se traduz a cada dia numa espécie de arrebatadora

vertigem, não há pausa para qualquer reflexão que implique

dúvida, desconfiança ou hesitação. Nunca se viu tanta gente

afirmar, a propósito de qualquer coisa: “Com certeza!”

          A História nos ensina que não há fatos estanques, ou

rupturas absolutas: há alguma continuidade na transformação,

algum encadeamento na progressão. Os processos da

civilização não constituem saltos caprichosos e inexplicáveis,

por isso é um erro imaginar que o que se vive hoje é uma

inauguração absoluta. Mesmo os avanços no campo da

informática ou da neurociência, erroneamente vistos como

verdadeiros “milagres”, compõem uma sequência histórica

esclarecedora.

          O problema maior está em que o homem

contemporâneo, cético em relação ao passado, não conserva

deste lições que podem ser preciosas no futuro. O primeiro

grande cientista político, Maquiavel, preocupado com a

unificação de uma Itália dividida em principados, foi buscar em

grandes líderes políticos do passado inspiração para as ações

necessárias no presente. Sua intuição lhe dizia (e há quem

aproveite suas lições até hoje) que o jogo do poder não muda

em sua essência, apenas variam as circunstâncias.

          Considere-se, ainda, o aspecto afetivo da nossa

memória. Nossa sensibilidade acusa momentos marcantes,

experiências inesquecíveis, que continuam a produzir efeito em

nossa personalidade, em nosso modo de ver o mundo. Se os

valores da nossa biografia ajudam a esclarecer o sentido de

nossa trajetória pessoal, por que imaginar que a História não

tenha o que dizer quanto ao sentido da caminhada que

estamos todos empreendendo?


(Aristeu de Valença, inédito)


Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase: 

2009
Fund Carlos Chagas
0007128

Tempo sem passado


          Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do nosso

tempo, acredita que nunca o conhecimento da História se fez

tão necessário como nestes dias em que, justamente, muitos a

julgam quase irrelevante. O fato de o século XX ter sido

marcado, ao mesmo tempo, por massacres e guerras, de um

lado, e por um notável avanço das ciências e da tecnologia, de

outro, talvez ajude a entender por que o homem contemporâneo

parece ter fechado os olhos para o passado longínquo ou

recente, e viva o presente com a sensação de já estar instalado

no futuro. Nesse vão do tempo, em que a velocidade do que é

novo se traduz a cada dia numa espécie de arrebatadora

vertigem, não há pausa para qualquer reflexão que implique

dúvida, desconfiança ou hesitação. Nunca se viu tanta gente

afirmar, a propósito de qualquer coisa: “Com certeza!”

          A História nos ensina que não há fatos estanques, ou

rupturas absolutas: há alguma continuidade na transformação,

algum encadeamento na progressão. Os processos da

civilização não constituem saltos caprichosos e inexplicáveis,

por isso é um erro imaginar que o que se vive hoje é uma

inauguração absoluta. Mesmo os avanços no campo da

informática ou da neurociência, erroneamente vistos como

verdadeiros “milagres”, compõem uma sequência histórica

esclarecedora.

          O problema maior está em que o homem

contemporâneo, cético em relação ao passado, não conserva

deste lições que podem ser preciosas no futuro. O primeiro

grande cientista político, Maquiavel, preocupado com a

unificação de uma Itália dividida em principados, foi buscar em

grandes líderes políticos do passado inspiração para as ações

necessárias no presente. Sua intuição lhe dizia (e há quem

aproveite suas lições até hoje) que o jogo do poder não muda

em sua essência, apenas variam as circunstâncias.

          Considere-se, ainda, o aspecto afetivo da nossa

memória. Nossa sensibilidade acusa momentos marcantes,

experiências inesquecíveis, que continuam a produzir efeito em

nossa personalidade, em nosso modo de ver o mundo. Se os

valores da nossa biografia ajudam a esclarecer o sentido de

nossa trajetória pessoal, por que imaginar que a História não

tenha o que dizer quanto ao sentido da caminhada que

estamos todos empreendendo?


(Aristeu de Valença, inédito)


Os elementos destacados estão corretamente empregados na frase: 

2009
Fund Carlos Chagas
0007129

Biblioteca e universidade


           Nas universidades brasileiras, mesmo de bom nível, as

bibliotecas ainda não receberam a atenção devida. A biblioteca

deveria ser equivalente ao laboratório como centro da universidade,

formando ambos sua dupla fonte de energia. De fato,

preferimos muitas vezes gastar mais com os prédios do que

com os livros. E preferimos também fazer uma política de

pessoal sem cuidar de uma política paralela de equipamento.

           Não podemos, é claro, seguir o exemplo de certos países

do primeiro mundo, nos quais geralmente uma instituição de

ensino superior só começa a funcionar depois de plenamente

equipada. O nosso ritmo é diverso, as nossas possibilidades

são outras, e há que deixar margem à capacidade brasileira de

improvisar, que tem os seus lados positivos. Mas podemos e

devemos estabelecer na estratégia universitária uma proporção

mais justa entre a política de instalação, a política de pessoal e

a política de equipamento.

           Quanto à biblioteca, os dois aspectos básicos são a

constituição de acervo adequado e a presença de pessoal

competente. É constrangedor ver as nossas instituições de

ensino superior começarem o trabalho sem os livros necessários;

e, quando estes são conseguidos, vê-las sem meios de

aproveitá-los corretamente, ampliar o acervo e manter um ritmo

normal de atualização. Igualmente penoso é ver a desqualificação

relativa da função de bibliotecário, que apesar das melhorias

ainda não teve o reconhecimento, a formação e a remuneração

que merece. Nas nossas bibliotecas não é frequente a

figura do bibliotecário-bibliógrafo, isto é, aquele capaz de dominar

textualmente a bibliografia de um dado setor e trabalhar

sobre ele com um tipo de competência equivalente à dos

professores, podendo inclusive publicar a respeito trabalhos de

especialista. Neste sentido, é preciso repensar a relação entre

docentes e bibliotecários, dando a estes um relevo que poucas

vezes lhes é atribuído.


(Antonio Candido, Recortes)


O autor equipara a importância de uma biblioteca à de um laboratório porque ambos 

2009
Fund Carlos Chagas
0007130

Biblioteca e universidade


           Nas universidades brasileiras, mesmo de bom nível, as

bibliotecas ainda não receberam a atenção devida. A biblioteca

deveria ser equivalente ao laboratório como centro da universidade,

formando ambos sua dupla fonte de energia. De fato,

preferimos muitas vezes gastar mais com os prédios do que

com os livros. E preferimos também fazer uma política de

pessoal sem cuidar de uma política paralela de equipamento.

           Não podemos, é claro, seguir o exemplo de certos países

do primeiro mundo, nos quais geralmente uma instituição de

ensino superior só começa a funcionar depois de plenamente

equipada. O nosso ritmo é diverso, as nossas possibilidades

são outras, e há que deixar margem à capacidade brasileira de

improvisar, que tem os seus lados positivos. Mas podemos e

devemos estabelecer na estratégia universitária uma proporção

mais justa entre a política de instalação, a política de pessoal e

a política de equipamento.

           Quanto à biblioteca, os dois aspectos básicos são a

constituição de acervo adequado e a presença de pessoal

competente. É constrangedor ver as nossas instituições de

ensino superior começarem o trabalho sem os livros necessários;

e, quando estes são conseguidos, vê-las sem meios de

aproveitá-los corretamente, ampliar o acervo e manter um ritmo

normal de atualização. Igualmente penoso é ver a desqualificação

relativa da função de bibliotecário, que apesar das melhorias

ainda não teve o reconhecimento, a formação e a remuneração

que merece. Nas nossas bibliotecas não é frequente a

figura do bibliotecário-bibliógrafo, isto é, aquele capaz de dominar

textualmente a bibliografia de um dado setor e trabalhar

sobre ele com um tipo de competência equivalente à dos

professores, podendo inclusive publicar a respeito trabalhos de

especialista. Neste sentido, é preciso repensar a relação entre

docentes e bibliotecários, dando a estes um relevo que poucas

vezes lhes é atribuído.


(Antonio Candido, Recortes)


Atente para as seguintes afirmações:


I. As soluções improvisadas, por não serem as ideais, não devem ter lugar no estabelecimento da estratégia de uma universidade brasileira. 

II. É necessário, na estratégia de uma universidade, ponderar de forma mais equilibrada a importância que se deve dar às políticas adotadas. 

III. O que os países do primeiro mundo podem nos ensinar, no que diz respeito à estratégia universitária, é a maneira de compensar eventuais deficiências de infraestrutura com o nível de excelência do pessoal. 


Em relação ao texto, está correto o que se afirma SOMENTE em 

2009
Fund Carlos Chagas
0007131

Biblioteca e universidade


           Nas universidades brasileiras, mesmo de bom nível, as

bibliotecas ainda não receberam a atenção devida. A biblioteca

deveria ser equivalente ao laboratório como centro da universidade,

formando ambos sua dupla fonte de energia. De fato,

preferimos muitas vezes gastar mais com os prédios do que

com os livros. E preferimos também fazer uma política de

pessoal sem cuidar de uma política paralela de equipamento.

           Não podemos, é claro, seguir o exemplo de certos países

do primeiro mundo, nos quais geralmente uma instituição de

ensino superior só começa a funcionar depois de plenamente

equipada. O nosso ritmo é diverso, as nossas possibilidades

são outras, e há que deixar margem à capacidade brasileira de

improvisar, que tem os seus lados positivos. Mas podemos e

devemos estabelecer na estratégia universitária uma proporção

mais justa entre a política de instalação, a política de pessoal e

a política de equipamento.

           Quanto à biblioteca, os dois aspectos básicos são a

constituição de acervo adequado e a presença de pessoal

competente. É constrangedor ver as nossas instituições de

ensino superior começarem o trabalho sem os livros necessários;

e, quando estes são conseguidos, vê-las sem meios de

aproveitá-los corretamente, ampliar o acervo e manter um ritmo

normal de atualização. Igualmente penoso é ver a desqualificação

relativa da função de bibliotecário, que apesar das melhorias

ainda não teve o reconhecimento, a formação e a remuneração

que merece. Nas nossas bibliotecas não é frequente a

figura do bibliotecário-bibliógrafo, isto é, aquele capaz de dominar

textualmente a bibliografia de um dado setor e trabalhar

sobre ele com um tipo de competência equivalente à dos

professores, podendo inclusive publicar a respeito trabalhos de

especialista. Neste sentido, é preciso repensar a relação entre

docentes e bibliotecários, dando a estes um relevo que poucas

vezes lhes é atribuído.


(Antonio Candido, Recortes)


No 3° parágrafo, ao introduzir enunciados com as expressões É constrangedor e Igualmente penoso é, o autor está acusando, respectivamente, deficiências de nossas universidades quanto às políticas de 

2009
Fund Carlos Chagas
0007132

Biblioteca e universidade


           Nas universidades brasileiras, mesmo de bom nível, as

bibliotecas ainda não receberam a atenção devida. A biblioteca

deveria ser equivalente ao laboratório como centro da universidade,

formando ambos sua dupla fonte de energia. De fato,

preferimos muitas vezes gastar mais com os prédios do que

com os livros. E preferimos também fazer uma política de

pessoal sem cuidar de uma política paralela de equipamento.

           Não podemos, é claro, seguir o exemplo de certos países

do primeiro mundo, nos quais geralmente uma instituição de

ensino superior só começa a funcionar depois de plenamente

equipada. O nosso ritmo é diverso, as nossas possibilidades

são outras, e há que deixar margem à capacidade brasileira de

improvisar, que tem os seus lados positivos. Mas podemos e

devemos estabelecer na estratégia universitária uma proporção

mais justa entre a política de instalação, a política de pessoal e

a política de equipamento.

           Quanto à biblioteca, os dois aspectos básicos são a

constituição de acervo adequado e a presença de pessoal

competente. É constrangedor ver as nossas instituições de

ensino superior começarem o trabalho sem os livros necessários;

e, quando estes são conseguidos, vê-las sem meios de

aproveitá-los corretamente, ampliar o acervo e manter um ritmo

normal de atualização. Igualmente penoso é ver a desqualificação

relativa da função de bibliotecário, que apesar das melhorias

ainda não teve o reconhecimento, a formação e a remuneração

que merece. Nas nossas bibliotecas não é frequente a

figura do bibliotecário-bibliógrafo, isto é, aquele capaz de dominar

textualmente a bibliografia de um dado setor e trabalhar

sobre ele com um tipo de competência equivalente à dos

professores, podendo inclusive publicar a respeito trabalhos de

especialista. Neste sentido, é preciso repensar a relação entre

docentes e bibliotecários, dando a estes um relevo que poucas

vezes lhes é atribuído.


(Antonio Candido, Recortes)


O elemento destacado na frase 

2009
Fund Carlos Chagas
0007133

Biblioteca e universidade


           Nas universidades brasileiras, mesmo de bom nível, as

bibliotecas ainda não receberam a atenção devida. A biblioteca

deveria ser equivalente ao laboratório como centro da universidade,

formando ambos sua dupla fonte de energia. De fato,

preferimos muitas vezes gastar mais com os prédios do que

com os livros. E preferimos também fazer uma política de

pessoal sem cuidar de uma política paralela de equipamento.

           Não podemos, é claro, seguir o exemplo de certos países

do primeiro mundo, nos quais geralmente uma instituição de

ensino superior só começa a funcionar depois de plenamente

equipada. O nosso ritmo é diverso, as nossas possibilidades

são outras, e há que deixar margem à capacidade brasileira de

improvisar, que tem os seus lados positivos. Mas podemos e

devemos estabelecer na estratégia universitária uma proporção

mais justa entre a política de instalação, a política de pessoal e

a política de equipamento.

           Quanto à biblioteca, os dois aspectos básicos são a

constituição de acervo adequado e a presença de pessoal

competente. É constrangedor ver as nossas instituições de

ensino superior começarem o trabalho sem os livros necessários;

e, quando estes são conseguidos, vê-las sem meios de

aproveitá-los corretamente, ampliar o acervo e manter um ritmo

normal de atualização. Igualmente penoso é ver a desqualificação

relativa da função de bibliotecário, que apesar das melhorias

ainda não teve o reconhecimento, a formação e a remuneração

que merece. Nas nossas bibliotecas não é frequente a

figura do bibliotecário-bibliógrafo, isto é, aquele capaz de dominar

textualmente a bibliografia de um dado setor e trabalhar

sobre ele com um tipo de competência equivalente à dos

professores, podendo inclusive publicar a respeito trabalhos de

especialista. Neste sentido, é preciso repensar a relação entre

docentes e bibliotecários, dando a estes um relevo que poucas

vezes lhes é atribuído.


(Antonio Candido, Recortes)


O autor entende por bibliotecário-bibliógrafo o profissional que 

2009
Fund Carlos Chagas

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