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Português Nível Superior

TJ/PA - Analista Judiciário

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(1)      [...] Ao contrário de Winnicott, Lacan escreveu num

          estilo extravagantemente difícil até mesmo para outros

          analistas. Ao longo de toda a sua carreira, sempre criticou

          o que via como as tentativas de outros analistas de fazer

(5)      os pacientes se conformarem a códigos sociais burgueses.

          Ele acreditava, por exemplo, que a ênfase no amor entre a

          mãe e o bebê, no trabalho dos analistas britânicos,

          obscurecia a atenção devida à sexualidade adulta e ao

          erótico em geral. Se a palavra-chave de Winnicott foi

(10)    “maternagem”, a de Lacan foi “desejo”. Para Lacan, o

          desejo é aquilo que a um só tempo nos define como

          sujeitos humanos e nos impede de jamais sermos inteiros

          ou completos. Desejar, afinal, é não ter algo. [...] Para

          Winnicott, o eu só se dividia na doença, ao passo que,

(15)    para Lacan, a subjetividade humana era necessariamente

          clivada, graças à existência do inconsciente. Por mais que

          obtenhamos sucesso, por mais que sejamos amados,

          somos sempre vulneráveis a temores irracionais e capazes

          dos atos mais autodestrutivos. Como dizia Freud, nunca

(20)    poderemos ser “senhores em nossa própria casa”.

 

(Adaptado de LUEPNITZ, Deborah Anna. Os porcosespinhos de Schopenhauer. A intimidade e seus dilemas. Cinco histórias de psicoterapia. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2006, p. 26-27)


Sobre o modo de apresentação do tema, é correto afirmar que o texto: 


1. neutraliza a voz da autora para apresentar, do exclusivo ponto de vista de sua coerência interna, as dissonâncias e complementaridades entre dois modos de conceber a subjetividade ( Ao contrário de Winnicott; Para Lacan; Para Winnicott ). 
2. fundamenta, por meio da remissão a exemplos concretos (o amor entre a mãe e o bebê; "senhores em nossa própria casa"), a adequação das críticas de Lacan aos outros analistas, especialmente aos britânicos. 
3. disserta sobre a primeira afirmação ( Lacan escreveu num estilo extravagantemente difícil ), buscando sustentá- la com recurso a diferentes tipos de argumentos (exemplos, argumentos de autoridade). 
4. separa discursos reportados ( Ele acreditava, Para Lacan, Para Winnicott, Como dizia Freud ) de noções expressas pela própria voz da autora ( Desejar, afinal, é não ter algo; Por mais que obtenhamos sucesso... ). 
5. assume como indiscutíveis certos conceitos polêmicos (Desejar, afinal, é não ter algo; [...] somos sempre vulneráveis a temores irracionais [...].), desconectando os enunciados de qualquer autoria individual possível. 

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